ADICIONANDO O PRODUTO AO CARRINHO

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Muitos já ouviram falar da Lei da Pureza, essa de nome bem complicado e de difícil pronúncia, a Reinheitsgebot. Promulgada em 1516, pelo Duque Guilherme IV da Baviera, sul da Alemanha, a lei ditava uma série de regras e comportamentos em relação ao consumo da cerveja, e entre elas, uma das mais famosas, seria a determinação dos ingredientes que poderiam fazer parte da produção de uma cerveja, que são: malte de cevada (mais recentemente, também o trigo), água, lúpulo e – posteriormente - a levedura.

      

Desde a data, a escola alemã é baseada nesses ingredientes e todos os estilos seguem esse quarteto, sem a inclusão de adjuntos (como frutas, chocolate, maltes de arroz e etc). Muito mais que uma questão de hábito, é uma tradição.

Que a qualidade das cervejas alemãs é indiscutível, isso todos nós sabemos e concordamos. Mas fica a questão: até que ponto limitar os ingredientes determina a qualidade de uma cerveja? Para os amantes do tradicionalismo alemão, essa questão nem entra na discussão. Para os cervejeiros mais ousados e revolucionários, ela está demodê e os novos consumidores estão com sede de rótulos cada vez mais peculiares, de identidade e que desafie o paladar. Evolução dos tempos, da cultura e do consumo. Já vemos alemães fazendo india pale ales e isso é, sem dúvida, um marco na história das cervejas, como a Die CREW AleWerkstatt. Infelizmente ela não vem mais ao Brasil; #chateados!

À contramão dela, temos escolas igualmente referenciais como a belga, em que adição de frutas ou especiarias é bastante comum e nem por isso descaracteriza o produto como uma cerveja de qualidade e história. Nas americanas, a nova onda de cervejas maturadas em barris de outras bebidas tem conquistado o mercado e nos presenteado com excelentes rótulos, que desafiam cada vez mais nossas papilas gustativas e fazem o nosso coração bater num ritmo ainda mais acelerado.

Esse ano, a Reinheitsgebot completa 500 anos e para brincar com a data, as cervejarias nacionais 2Cabeças e Morada Etílica, em comunhão com a cervejaria alemã Freigeist Bierkultur, sim é isso mesmo, uma alemã, criaram a Anti-Cerveja, intitulada como Bizarro, onde nenhum dos quatro ingredientes determinados na lei são usados na produção. Foram trocados por chimarrão, água de coco e sidra de maçã no lugar da água. O malte de cevada foi totalmente substituído por malte de arroz e de aveia. O lúpulo não entra na receita, e sim losna, semente de coentro, zimbro e erva mate torrada. Uma bela adição de mel para provocar e para finalizar, apenas leveduras selvagens: French Saison e Brettanomyces. Ficou curioso? Confira aqui!

É uma cerveja complexa, por isso vá sem pré-conceitos e desfrute de tudo que ela vai oferecer. Observe a sua sensação de boca e se quiser intensificar a experiência, sugerimos um queijo tipo feta, pelas notas rústicas em semelhança às leveduras da cerveja.

Mesmo sendo criada com o intuito de controlar a tributação e o comércio na época, a Lei da Pureza é um marco na tradição alemã de se fazer cervejas e tem resultado em grandes rótulos desde então. Para nós, fãs de cerveja, o que importa é que você esteja sempre com o copo cheio daquela cerveja que te agrade, traga momentos alegres, de qualidade e muito, muito conhecimento!

Cheers!

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